Resenha

[Resenha] A voz do arqueiro, de Mia Sheridan – @editoraarqueiro

Que a Editora Arqueiro e o cupido me perdoem, mas dessa vez não falaremos sobre amores que surgiram de flechas, porque Mia Sheridan é mais adepta de mísseis teleguiados! Kabum!!!

Livro: A voz do Arqueiro

Autor: Mia Sheridan

Editora: Arqueiro

Capa do livro 1

A voz do arqueiro, de Mia Sheridan - @editoraarqueiro

Sinopse 1

“Bree Prescott quer deixar para trás seu passado de sofrimentos e precisa de um lugar para recomeçar. Quando chega à pequena Pelion, no estado do Maine, ela se encanta pela cidade e decide ficar. Logo seu caminho se cruza com o de Archer Hale, um rapaz mudo, de olhos profundos e músculos bem definidos, que se esconde atrás de uma aparência selvagem e parece invisível para todos do lugar. Intrigada pelo jovem, Bree se empenha em romper seu mundo de silêncio para descobrir quem ele é e que mistérios esconde. Alternando o ponto de vista dos dois personagens, Mia Sheridan fala de um amor que incendeia e transforma vidas. De um lado, a história de uma mulher presa à lembrança de uma noite terrível. Do outro, a trajetória de um homem que convive silenciosamente com uma ferida profunda. Archer pode ser a chave para a libertação de Bree e ela, a mulher que o ajudará a encontrar a própria voz. Juntos, os dois lutam para esquecer as marcas da violência e compreender muito mais do que as palavras poderiam expressar.”

Resenha 1

Em tempos de cyber-urgência, de conexão ilimitada e muitas vezes desnecessária, falar de romance até passa despercebido, principalmente se sua última experiência com paixão foi observar a troca de gentilezas de sua amiga com o namorado/marido novo: “Você é minha fofuxa”, “você é meu tchuchuco”, etc… BLÁ, mil vezes BLÁ!

Não é desse amor que iremos falar aqui. Mia Sheridan é muito mais criativa que isso.

Estou falando de amor épico, amor avassalador, amor que de tão grande, nobre e magnífico, é capaz de mudar a vida de uma cidade inteira, de corrigir o passado, de alterar a rota do futuro, de alterar o curso da história não só de seus personagens, mas de todo mundo que fez ou fará parte de suas vidas. Estou exagerando? O que dizer de Napoleão e Josefina, Henrique VIII e Ana Bolena, Pierre Curie e Marie Curie…

O amor entre Archer e Bree é uma hecatombe de proporção inesperada. Então, conheçam os protagonistas e suas lindas trajetórias:

Archer Hale: o “invisível” mais lindo da cidade de Pelion. Alto, magro, corpo sarado, mudo, de longa barba, e totalmente antissocial. No começo do livro, já descobrimos que ele não nasceu mudo, e que algo muito grave resultou do amor de sua mãe pelo seu tio Connor. Connor era o policial exemplar, e de seu casamento com a “detestável mor” Victoria, saiu o igualmente odioso Travis. Nathan, o tio de Archer, embora bem doidão, foi a pessoa mais gentil da difícil vida de Archer. Os falecimentos da mãe de Archer, Connor e Nathan, desencadearam em Archer seu raso senso de sobrevivência. Ele não interage socialmente, não possui amigos e sequer conhece o lado belo da vida.

Bree Prescott: a linda e perdida nova moradora da cidade, sequer possui um núcleo familiar. Se contabilizarmos, acho que ela possui apenas a temperamental cadelinha Phoebe, sua fiel e antiga amiga Natalie, sua doce vizinha Anne, e duas novas colegas bem piradas. Quando li que ela voltou ao lago de Pelion porque ali ocorrera o último momento feliz de sua mãe, e que ela ficou órfã, pensei “com meus botões” que ela estaria agindo como gato, se escondendo para cometer alguma loucura ou esperar um triste fim, mas nãããão, caras leitoras. Com um passado avassaladoramente traumático, pouco dinheiro e nenhuma perspectiva, Bree será uma das melhores heroínas que tive o prazer de conhecer. Sua personalidade doce transita facilmente entre um “belo passarinho”, à mais “raivosa e protetora parceira urso”. Seu mais novo sonho é trazer Archer para a sociedade, fazer com que a cidade o respeite e, de quebra, conseguir seu coração.

Agora vou separar a história por tópicos:

O SEGREDO

Desde o começo sabemos que o ódio de Vitória, a rainha má da cidade, por Archer tem ligação com o fato de seu falecido marido ser apaixonado pela mãe de Archer. Não sei se estava tão encantada com a história que não adivinhei qual segredo iria ser desvendado pela autora, mas se você prestar muita atenção, verá que Mia Sheridan nos dá grandes dicas dessa tensa relação entre tia e sobrinho. Dá para perdoar Victoria por seu desprezível comportamento? Não. Definitivamente ainda quero que ela fique careca, desdentada e presa pelos restos de seus miseráveis dias. Já Travis, apesar de maldoso e traiçoeiro, é apenas patético. Se você discordar de mim, é só lançar a mesma praga ao primo de Archer; quem sabe dá certo e nós não abrimos uma fábrica de vodus. kkkkkkkkk.

Página 126:

“O desdém de Victoria Hale por Archer era óbvio, eu só não tinha ideia do motivo. E, naquele momento, o melhor modo que encontrei para defendê-lo foi dizendo a ela que éramos mais do que amigos. Ela me encarou por um tempo e então riu, fazendo uma onda de raiva percorrer meu corpo.”

O TEMPO

Ainda me pergunto o porquê de toda a cidade descartar Archer. No livro, veremos que muitos habitantes amavam a mãe de Archer, que seu único parente vivo (seu tio Nathan) tinha poucos parafusos em funcionamento e que, já adulto, Archer sempre fora um cidadão exemplar. Então porque ninguém se preocupou em conviver com ele, certificar-se de que ele fosse bem cuidado, etc. Não achei certo. Esta foi uma lição que Mia nos deixa: manter a boa aparência e a fachada de bom cidadão não basta; é preciso desvendar, chafurdar, ajudar de verdade. Dar bom dia é fácil; certo mesmo é saber se quem está ao seu lado está sofrendo, nem que para isso você tenha que ser “o intrometido”.

Página 264

“- Às vezes o medo toma conta de nós. Eu entendo. Sou a última pessoa com quem você tem que se desculpar. Você me socorreu quando perdi o controle uma vez, e agora estou fazendo o mesmo por você. É assim que funciona, ok?

Ele assentiu, olhando para mim com uma expressão solene.

– O problema, Bree, é que sinto que você está melhorando, mas eu estou piorando.”

VERDADE

Quando Bree aos poucos alcança Archer, arruma confusão sem fim. O anonimato forçado de Archer tem uma razão bem lógica, e muita lama sairá daquele casarão afastado onde ele mora. É tudo tão lindo, tão sublime, que a “bússola” que Archer segue simplesmente desaparece. Descobrir a verdade de Archer será apenas um começo, porque sua história colide com os planos da desprezível tia Victoria e, mesmo do alto de sua mudez, Archer fará com que todos ouçam e vejam exatamente o quão grande e corajoso ele é. Bree e Archer vão protagonizar um romance épico, desses que falei no começo.

Página 275:

“- Eu costumava achar que era amaldiçoado, disse ele, um sorriso sem humor curvando-lhe os cantos da boca, antes que a expressão se transformasse em uma careta.

Archer voltou a passar a mão pela lateral do rosto antes de levantá-la para voltar a falar por sinais.

– Não era possível que alguém tivesse que suportar tanta merda em apenas uma vida. Mas então me dei conta de que era mais provável que eu estivesse sendo castigado, e não que fosse amaldiçoado.”

A CURA

E quando digo cura, digo para todos os males que descobrimos nesse livro: para a falta de sensibilidade de todos aqueles que tratam Archer como se ele fosse invisível, a falsa moralidade e integridade da rica Victoria, a mesquinhez de Travis, o anonimato forçado de Archer, a tristeza que corroia sua alma, a solidão dele, sua ingenuidade, seu total desconhecimento da vida. Cura também para a solidão de Bree e, mais importante, para a culpa que tanto Bree quanto Archer sempre carregaram. Se cuidem Romeu e Julieta; diferente de vocês, Archer e Bree têm final feliz, e uma história tão marcante que fará com que a leitora sonhe com eles por muito tempo.

Página 155:

“Eu nunca fora tão feliz na vida. Todos os dias, trabalhava na propriedade enquanto os filhotes brincavam nos meus calcanhares, arrumando confusão sempre que podiam, derrubando coisas e fazendo a bagunça típica que cachorrinhos costumam fazer. E, toda tarde, meu coração se enchia de alegria quando ouvia o rangido do portão, avisando que Bree chegara. Conversávamos, e ela me contava sobre o dia dela. Os olhos de Bree brilhavam enquanto ela falava sobre as novas receitas que estava fazendo, agora que Norm e Maggie tinham lhe dado a atribuição de renovar algumas partes do cardápio. Ela parecia muito orgulhosa e feliz quando ria e me contava sobre como Norm havia admitido, a contragosto e com rabugice, que as receitas de acompanhamentos dela eram melhores que as dele. Bree dizia que tinha planos de também renovar alguns pratos principais, e dava uma piscadinha ao dizer isso, fazendo meu peito se apertar de tão bonita que ela era. Às vezes eu achava que a olhava demais com um ar admirado, e tentava desviar o olhar quando ela me surpreendia. Mas a verdade é que eu sentia vontade de ficar olhando o dia todo para Bree – para mim, ela era a mulher mais linda do mundo.”

Tem como não sonhar com um romance desse? Parabéns à Arqueiro: a tradução, diagramação e capa estão perfeitos.

A voz do Arqueiro: Amazon (ebook e físico) e Buscapé

FOTO FINAL

sobre o autor 1

Foto Mia SheridanMia Sheridan vive em Cincinnati, Ohio, com seu marido (Policial) que é seu maior fã. Eles têm quatro filhos aqui na Terra e um no céu. Quando ela não está sentada em seu sofá com a cabeça enterrada em seu Kindle, ela pode ser encontrada escrevendo ou fazendo qualquer coisa criativa.

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