Resenha

[Resenha] Graffiti Moon, de Cath Crowley

Livro: Graffiti Moon

Editora: Valentina

Onde comprar: Saraiva

capa de livro

Graffiti Moon

 

sinopse

O ano letivo acabou, aliás, o último ano do ensino médio. Lucy planejou a maneira perfeita de comemorar – esta noite, finalmente, ela encontrará o Sombra, o genial e misterioso grafiteiro, cujo fantástico trabalho se encontra espalhado por toda a cidade. Ele está de spray na mão, escondido em algum lugar da escuridão, espalhando cor, desenhando pássaros e o azul do céu na noite. Lucy sabe que um artista como o Sombra é alguém por quem ela pode se apaixonar – se apaixonar de verdade. A última pessoa com quem Lucy quer passar essa noite é o Ed, o cara que ela tem tentado evitar desde que deu um soco no nariz dele no encontro mais estranho da sua vida. Mas quando Ed conta para Lucy que sabe onde achar o Sombra, os dois, de repente, se juntam numa busca frenética aos lugares onde a arte do grafiteiro, repleta de tristeza e fuga, reverbera nos muros da cidade. Mas Lucy não consegue ver o que está bem diante dos seus olhos.

resenha

Qual o resultado da seguinte mistura: um artista grafiteiro, seu amigo poeta, uma garota artesã de vidros feitos à base de sopro, sua amiga maluquinha que se considera vidente, um renomado artesão de vidro, o gentil dono da loja de tinta, um pai mágico, uma mãe extremamente amorosa, um marginal violento, etc.? Um livro surpreendente e divertido.

Os protagonistas de Graffiti Moon são Ed e Lucy, mas em nenhum momento os personagens secundários são meros coadjuvantes. Os melhores momentos do livro, para mim, saíram da bagunça que todos adolescentes fizeram juntos, e foi muito bom poder gargalhar lendo o livro.

O mais interessante de tudo é que o livro narra, na maior parte, os acontecimentos de apenas uma noite. Mas essa fatídica noite será aquela na qual um casal se reencontra, outro é formado, outro quase desfeito, e os 03 casais terão um tempo bem curto para resolver suas pendências, e a pendência financeira de seu amigo junto a um marginal bem asqueroso.

 

Conheçam alguns dos personagens:

Núcleo Ed:

Ed: codinome Sombra, é um artista muito pobre, anônimo, muito talentoso, um amante do grafite e dotado de uma alma sofrida, mas não pálida. Sua arte, ainda não reconhecida no comércio, é utilizada para embelezar a via pública de Melbourne, Austrália, e dar forma e cor ao sofrimento de Ed.

A mãe de Ed: simplesmente maravilhosa, uma mulher corajosa, protetora, altruísta e sonhadora, que aos 15 anos engravidou e foi abandonada pelo pai de Ed, a quem ama de uma forma inenarrável.

Leo: amigo de Ed, também atua no anonimato com o codinome Poeta, e seus lindos versos ganham um destaque especial no livro. Igualmente pobre, acaba por contrair uma dívida de 500 dólares junto a um marginal perigoso, e tem a ideia, nada brilhante, de pagá-la assaltando o departamento da escola de arte, junto com seus amigos.

Dylan: o amigo atrapalhado de Ed, que tem a brilhante ideia de esquecer o aniversário da namorada, celebrar o fim do ensino médio jogando ovos na mesma, e gastar o dinheiro das férias que passaria com sua amada simplesmente comprando um Wii.

 

Núcleo Lucy:

Lucy: uma das personagens mais sonhadoras que já conheci, é uma artesã talentosa, apaixonada pela arte da confecção de vidros feitos à base de sopro. Com pais, digamos assim, alternativos, possui um amor platônico por Sombra (a quem persegue regularmente), uma bicicleta adaptada e seu respectivo capacete cor de rosa, e um soco de direita tal e qual as melhores boxeadoras femininas.

Jazz: amiga maluquinha de Lucy e protagonista dos momentos mais engraçados do livro, acredita ser uma poderosa vidente.

Daisy: a amiga que fecha o trio, tinha a intenção de apenas comemorar o fim do ensino médio com suas amigas, esquecer que seu namorado Dylan lhe havia atirado ovos, mas acaba envolvida na noite mais atrapalhada de sua vida.

 

Conheçam os casais:

Ed e Lucy: fofos demais!!! Ed já conhecia Lucy de um encontro em que ele acabou no Hospital, resultado de uma combinação bem simples: Ed apalpou o traseiro de Lucy e a garota lhe acertou um soco digno de orgulhar Muhammad Ali. O reencontro dos dois servirá para que Ed conheça a artista que se esconde na garota, e Lucy, além de ser perdoada por Ed, conheça o garoto sofrido e problemático que se esconde no artista.

Prepare-se para gargalhar na fase do livro em que Ed tenta subir na traseira da bicicleta adaptada de Lucy!

“Ela empurra os pedais de novo, com força.

-Você pesa uma tonelada.

– Quer que eu pedale?

– Eu preciso de impulso, só isso. Desça.

– Você é muito charmosa, deve ouvir isso sempre.

– Desça – repete ela. Vou pedalando e você corre atrás e pula na bicicleta.

– Muitos caras convidam você para sair uma segunda vez?

– Só os corajosos.”

Ah, um dos cadernos que Ed levava consigo, trazia vários desenhos feitos pelo seu falecido patrão, e que folheados sequencialmente pareciam criar vida. Esse tipo de arte é muito bonito:

Leo e Jazz: quem diria que um poeta sensível e sofrido iria encontrar uma garota divertida, uma vidente de trancinhas, viciada em balas e pirulitos, e realmente apaixonar-se?

“(Jazz)Tudo bem. Vamos ter que pular por cima da parede para sair daqui.

Jazz sobe no vaso, escala o porta-papel higiênico e se lança para o outro lado.

(Lucy) Impressionante – digo, e só então a gente escuta a Jazz cair no chão.

– Nem tanto – comenta Daisy.

Dylan e Daisy:o casal mais yin yang do livro. Dylan terá apenas uma noite para se redimir com Daisy, e ver esse garoto, estilo ogro, tentando descobrir a causa de tanta briga, foi hilário.

“Tenho um jeito especial de arrancar a verdade do Dylan.

– Qual? – pergunto.

– Um chute no saco.”

 

Senti falta de:

– Conhecer mais do mundo das artes e poder compreender as referências que a autora colocou no livro, os artistas, suas obras, e até o estilo de grafite de Ed.

– Uma fonte diferente no livro, que pudesse separar os momentos em que os personagens falavam do presente, dos momentos em que os personagens reportavam-se ao passado.

 

Resultado final do livro: escolha da obra, capa e tradução perfeitos, parabéns à Editora Valentina.

Book Trailler

 

Conto porque vi: por muitos anos eu vi um trabalho maravilhoso de grafite, em uma cidade bem próxima de onde nasci. Na época existia apenas um artista local, e hoje até telefonei para ele, perguntando sobre seu trabalho. Por doze anos, cerca de 80% do comércio de Bela Vista do Paraíso – PR (não é uma coincidência bem legal esse nome?) contratou um grafiteiro para fazer as fachadas de seus prédios, e não havia uma enxurrada de placas luminosas, nem nada similar, apenas o maravilhoso trabalho artesanal de grafite nas fachadas comerciais. O motorista que transitasse pelo centro da cidade ficava maravilhado também com as outras obras do artista, e até hoje o comércio da cidade e região adota esse tipo de fachada grafitada.

 

Conto por que li: Bansky, um dos artistas grafiteiros mais famosos e consagrados (e anônimo) do mundo, depois de indignar-se com a fortuna que as Casas de Leilões e comércio de artes cobravam por suas obras (em um leilão beneficente realizado em NY, uma pintura modificada por ele chegou a arrecadar U$615.000,00), resolveu fazer uma brincadeira bem legal: montou uma tenda em NY, e contratou um anônimo para vender suas obras a, acredite, míseros 60 DÓLARES!!! Sortudos demais os que compraram essas obras de arte.

sobre-o-autor

CCCath Crowley cresceu na área rural de Vitória, Austrália. Estudou produção e edição de texto no Royal Melbourne Instuteof Technology e já recebeu diversos prêmios por seus livros. Para saber mais sobre Cath e seus livros, visite cathcrowley.com.au.

 

 

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