Resenha

[Resenha] Almanova, de Jodi Meadows

Livro: Almanova

Autora: Jodi Meadows

Editora: Valentina

Skoob: 4.3 de 5.0

Adquira o seu exemplar na Saraiva ou Submarino.

sinopse

ALMANOVA

Ana é nova. Por milhares de anos, no Range, milhões de almas vêm reencarnando, num ciclo infinito, para preservar memórias e experiências de vidas passadas. Entretanto, quando Ana nasceu, outra alma simplesmente desapareceu… e ninguém sabe porquê.

SEM-ALMA

A própria mãe de Ana pensa que a filha é uma sem-alma, um aviso de que o pior está a caminho, por isso decidiu afastá-la da sociedade. Para fugir deste terrível isolamento e descobrir se ela mesma reencarnará, Ana viaja para a cidade de Heart, mas os cidadãos de lá temem sua presença. Então, quando dragões e sílfides resolvem atacar a cidade, a culpa deverá recair sobre…

HEART

Sam acredita que a alma nova de Ana é boa e valiosa. Ele, então, decide defendê-la, e um sentimento parece que vai explodir. Mas será que poderá amar alguém que viverá apenas uma vez? E será também que os inimigos – humanos ou nem tanto  de Ana os deixarão viver essa paixão em paz? Ana precisa desvendar grandes segredos: O que provocou tal erro? Por que ela recebeu a alma de outra pessoa? Poderá essa busca abalar a paz em Heart e acabar por destruir a certeza da reencarnação para todos?

“Incarnate tem algo de estranho e intrigante. Algo novo. Não dá vontade de parar. Precisamos, e como, saber como será o desfecho disso tudo.” Robin McKinley

“Ao mesmo tempo lírico e provocador. Incarnate é aquele tipo de livro que nunca nos abandona. Eu amei!!!” Rachel Hawkins

“Uma palavra: IMPRESSIONANTE! Quer mais palavras? Vai nutrir sua alma e mexer com a sua cabeça!” Jeri Smith

Sim, essa é exatamente a reação esperada depois de vermos a sinopse e termos o livro em mãos. A capa é realmente linda. Tem um brilho bem diferente. Gastei uns bons cinco minutos só olhando pra ela e admirando o efeito que o brilho tem na máscara da Ana. Além disso, nos capítulos também há uns detalhes super delicados. Acho que delicadeza realmente define o livro, tanto o enredo quanto o cuidado da editora com esses detalhes de impressão.

Essa resenha contém spoillers, se você não gosta, por favor, não continue a leitura!!

resenha

Como vocês devem ter percebido ao ler a sinopse (bem reveladora), Almanova é um livro bem diferente do que estamos acostumados a ler, pois trata de almas e reencarnação.

No universo fantástico criado por Jodi Meadows, Janan, o ser criador dos humanos, criou um número limitado de almas há cerca de cinco mil anos e depois desapareceu. Essas pessoas, então, ao morrerem, perceberam que ressuscitaram, conseguindo guardar as lembranças de sua vida anterior.

Entre os inimigos do povo estão as sílfides, monstros de sombra cujas queimaduras podem matar e dragões que cospem ácido. Em meio às suas tentativas de sobrevivência nos primórdios, os humanos encontraram uma cidade completa, com casas e um templo. No entanto, esse não tinha portas, apenas escrituras em suas paredes, mais tarde identificadas como relacionadas a Janan. Eles, então, estabeleceram-se na cidade, chamando-a de Heart, pois as paredes principais do templo e das casas pulsam como um coração.

As habilidades de cada cidadão, normalmente aperfeiçoadas ao longo das muitas vidas, são exercidas em prol do desenvolvimento da cidade, cada um dando sua parcela de colaboração. Além disso, todos se conhecem e, quando alguém morre, sabem que dali a alguns anos a pessoa voltará. Eles vivem assim até… o nascimento da Ana.

No dia de seu nascimento, esperava-se que ela fosse a reencarnação de Ciana, falecida há cerca de cinco anos, porém, percebeu-se, para o horror de todos, que a alma de Ana era nova e não uma reencarnada. Envergonhada e temerosa das consequências, sua mãe, Li, a quem eu odiei tremendamente, leva-a para viver fora da cidade.

Não bastassem todas as dificuldades que Ana já teria que enfrentar quando crescesse, Li fez questão de tornar sua vida ainda pior, não ensinando-lhe o que deveria e deixando sua autoestima a zero. É por isso que, ao fazer dezoito anos, Ana resolve ir para Heart, na esperança de que a biblioteca da cidade possa sanar suas dúvidas e é, a partir daí, que o livro começa a se desenrolar pra valer, introduzindo o leitor a diversos detalhes que são a base do livro e para que se entenda o caminho que o livro segue.

Ah, antes que eu me esqueça: sim, a odiosa Li aprontou com a Ana mesmo em sua partida. #nãogostodelamesmo

***

Bom, isso foi só um resumo rápido. Apesar de o livro não ser tão grande, ele tem muuuuitos detalhes. Soma-se a isso o fato de que é um tema novo para a maioria dos leitores, então, é diferente de quando, por exemplo, lemos um livro de vampiros, pois nesses, apesar de alguns autores mudarem aspectos, a essência é a mesma. Assim, você lê Almanova sem saber realmente o que esperar.

Confesso que estranhei um pouco no início justamente por isso, mas depois o livro me envolveu de tal forma que eu TINHA que saber o que aconteceria, mesmo que eu soubesse que é uma série, então, nem todos os segredos seriam revelados. Agora que já terminei o livro, posso dizer: gente, no terço final do livro, muitas coisas já são descortinadas e eu fiquei realmente animada com o que vem pela frente porque, por mais coisas que tenham sido reveladas, mais mistérios e perguntas surgiram. Isso é muito bom, principalmente por se tratar de uma série.

Explico-me melhor: uma série pode esgotar todos os mistérios de um livro ao final dele e você fica se perguntando o que virá no seguinte ou os mistérios do livro 01 vão se ramificando, solucionando alguns e outros não. As duas formas podem dar super certo, desde que o autor o faça bem. E Jodi, definitivamente, soube aguçar nossa curiosidade sobre os próximos livros.

Outro ponto interessante do livro, apesar de triste, é a forma como a Ana vê a si mesma. Vivendo no isolamento com a mãe (já que seu pai aparentemente sumiu da cidade logo após o nascimento), ela se enxerga exatamente como Li a vê: uma sem-alma, que não merece amar e ser amada, cuja vida não é nada mais que um erro que ocasionou a morte permanente de uma pessoa querida. Não é à toa que ela não acredita que as pessoas possam gostar dela ou que ela tenha direito a uma vida e a desfrutar dela. Isso realmente me comoveu porque é algo que ultrapassa qualquer barreira de gênero do livro.

Lutando contra isso, Sam começa a mostrar a ela que ela tem sim direito a tudo isso e que seu futuro não está gravado em pedra. Na verdade, independente de ela reencarnar ou não, ele mostra que ela deve fazer o que lhe dá prazer e aproveitar a vida, sendo ela efêmera ou não, e a eternidade não está só nos anos, mas em quem fomos em vida e o que de bom realizamos.

“… Ele estendeu a mão, a qual simplesmente fiquei olhando, porque, havia um minuto, aquela mão estivera no piano, criando uma melodia para mim e, subitamente, eu deixara de ser ninguém. Era a Ana que Tinha a Música.”

“Você não é uma sem-alma. Você é capaz de sentir o que quiser.”

“Você sempre terá a opção de decidir por si mesma quem você é e o que se tornará.”

“Dali a milhares de anos, mesmo que nunca reencarnasse, as pessoas se lembrariam de mim: Ana Incarnate*.”

*Título da canção que Sam escreveu pra ela.

Daí a sua constante referência a ser uma borboleta, para o bem ou para o mal, ou seja, a efemeridade da vida da borboleta, mas eu também acho se refere a um desabrochar da Ana.

É nítido no início do livro que ela é corajosa e vai atrás do que quer, mas esse seu lado é constantemente atacado por suas inseguranças e desconfianças. Ao longo do livro, com a ajuda de Sam e seus amigos, notamos como ela vai deixando esse seu primeiro lado vencer, permitindo-se amar e usufruir dos prazeres da vida que sempre lhe foram negados, como ouvir uma música ou empanturrar-se de mel.

***

Nossa, falei muito, hein? Mas é que, como eu disse, esse livro tem muitos detalhes. Ao mesmo tempo, há muito o que se refletir sobre as mensagens dele.

Ana, a linda borboleta que rasgou o seu casulo opressor e está alçando voos cada vez mais altos em sua vida, definitivamente, merece a sua leitura. 🙂 ❤

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