Resenha

[Resenha] Uma Razão para Respirar, de Rebecca Donovan + Campanha Abrace essa causa – unidos contra a violência doméstica

Livro: Uma Razão para Respirar

Autora: Rebecca Donovan

Editora: Pandorga

Skoob: 4.4/5.0

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Sinopse:

Na cidade de Weslyn, Connecticut, onde a maioria das pessoas se preocupa em ver e ser vista, Emma Thomas preferia não ser percebida de forma alguma. Ela está mais preocupada em fingir perfeição enquanto puxa as mangas da blusa para baixo para esconder as marcas roxas, não querendo que ninguém perceba quão longe da perfeição ela realmente está. Sem esperar, ela encontra o amor. O amor a desafia a reconhecer seu valor, mas correndo o risco de revelar o terrível segredo que esconde.
O livro “Uma razão para respirar” é eletrizante da primeira à última página; uma história ímpar sobre mudança, crueldade inesperada e uma garota se agarrando à frágil esperança.
Uma Razão para respirar não é só um romance, é um livro que aborda a violência doméstica e todos os dilemas que as crianças e adolescentes que passam por isso precisam enfrentar. A personagem principal vive esta realidade e tenta tornar-se invisível para que as pessoas a sua volta não a percebam. E por meio da amizade e amor ela tenta superar cada dia doloroso até que consiga escapar desta rotina.
Uma história forte, emocionante, dura, real, meiga, triste e doce ao mesmo tempo, que vai mexer com os sentimentos do leitor. Uma leitura envolvente do início ao fim.

 

Essa resenha contém Spoillers, se você não gosta, por favor, não continue a leitura!!

 

Oi, pessoal, essa é minha segunda resenha e tem um peso enorme para mim. Primeiro, por se tratar de uma campanha contra a violência doméstica e outra porque presencio isso…

Quando a Editora Pandorga nos convidou para abraçar essa causa, imediatamente aceitamos, sem hesitar. Eu já havia lido sobre o livro, feito um post mostrando a capa e já havia combinado com as meninas que eu o resenharia. Então, quando surgiu a parceria com a Pandorga, mais do que depressa nos empenhamos na campanha.

Fizemos uma página no Facebook para que os fãs acompanhassem as novidades, e demos início à campanha #AbraceEssaCausa.

Quando recebi o livro, já havia feito pesquisas, lido outras resenhas e já imaginava como ele seria. Mas me surpreendi quando comecei a ler. O livro trata de um assunto muito delicado, a violência doméstica. Mas engana-se quem acha que ele só fala disso, que é pesado, triste. Claro, tem cenas que você se comove, fica com pena da protagonista, chora (sou muito chorona) e sofre com as cenas, com o coração na mão, a respiração ofegante de tanta raiva, mas a autora conseguiu mesclar com a delicadeza de um primeiro amor, a cumplicidade de uma amizade e a complexidade de ser um adolescente.

Emma é uma garota de 16 anos, tímida, inteligente, atleta e que conta os dias, literalmente, para entrar para a faculdade. O motivo de tal contagem é que Emma não vê a hora de sair de casa, ter seu cantinho para morar, com liberdade e longe de qualquer ameaça.

Aos 12 anos, seu pai faleceu e sua mãe se entregou ao alcoolismo, deixando Emma aos cuidados de seu tio paterno George e sua esposa Carol, que ficaram responsáveis por sua guarda. O que a menina não esperava era que, além de ter que conviver com a perda do pai e o abandono da mãe devido à doença, ela teria que conviver também com algo mais grave, a violência.

Carol é uma mulher dissimulada, que ama o marido e os filhos acima de tudo, mas somente eles. Ela deixa claro que Emma não é bem-vinda em sua casa, que não a suporta, culpa-a por qualquer coisa e a pune por qualquer motivo. Partindo para a agressão gratuita, tanto verbal, quanto física. Emma tem medo de revidar ou denunciá-la para alguém, pois sente pena das crianças e do tio, e do que pode acontecer no futuro. George sabe que há um atrito entre as duas, mas desconhece tal violência. Em momentos, cheguei a pensar que ele era conivente, mas, na verdade, é manipulado por Carol a achar que a culpa é de Emma, pois a esposa se faz de vítima quando está ao lado dele, o que leva Emma a ter mais raiva da situação.

Emma tenta se afastar o máximo possível de casa, envolvendo-se em todas as atividades extra-classe na escola, estudos na biblioteca e jogos esportivos. Contando sempre com a ajuda de sua melhor amiga e fiel escudeira, Sara. Em Sara, ela encontra cumplicidade e em Evan, um amor correspondido, o que a faz ter forças para superar toda a dificuldade em viver com quem ela detesta. Evan é fofo, carinhoso, completamente apaixonado por Emma, e faz de tudo para vê-la feliz. A história dos dois se inicia numa amizade e evolui para um namoro, o que deixa o livro mais delicado e fofo. Você se vê torcendo por eles, com o coração na mão de tanta emoção, e soltando uns, Own, que fofo!, de vez em quando.

 

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O que mais achei interessante no livro, foi o modo como Rebecca conduz a história. Os estágios de Emma quanto à violência. A culpa, o ódio, a revolta, o medo, o silêncio…

“— Já estou indo embora, mas queria prepará-la para o que verá quando vier me buscar essa manhã.

— O que aconteceu? —  Sara perguntou preocupada, quase em pânico.

— Estou bem —  garanti a ela, tentando ignorar sua reação. — Eu caí e bati minha cabeça, então estou com um curativo e uma pequena marca roxa. Não é grande coisa.

—  Emma! O que ela fez com você?! — Sara gritou numa mistura de terror e raiva em sua voz.

— Nada, Sara — a corrigi. — Eu caí.

— Claro que caiu — ela disse num sussurro. — Você está realmente bem?

—  É, Tá bom. Tenho que ir, vejo você amanhã de manhã.”

 

Há uma cena, que, após a agressão, Emma acaba sendo hospitalizada após desmaiar na escola. Com ferimentos nas costas, o médico a confronta, perguntando o porquê desses ferimentos e ela diz que caiu da escada. Essa cena, particularmente, mexeu muito comigo.

Uma pessoa muito próxima a mim sofre violência doméstica por parte do marido. Tanto física, quanto verbal, e eu cresci acompanhando essa história. Felizmente, nunca presenciei a agressão, mas sei que acontece. Quando mais nova eu suspeitava, como Sara suspeita de Emma, mas infelizmente se concretizou quando algo parecido aconteceu e ela foi parar no hospital com várias escoriações, um olho roxo e um dedo quebrado. Ao também ser confrontada pelo médico, fingiu ter caído da escada. Mas acabou confidenciando para nós o acontecido, até porque não tinha como negar. Eu me revoltei, chorei, quis denunciá-lo, mas ela não aceitou. É uma situação muito complicada e você se vê de mãos atadas, uma vez que a própria vítima não aceita ajuda.

d357ea9455df1280ac439fc614143a98Ele a manipula e manipula todos em volta. Ele se faz de bonzinho. Quem olha para ele, acha que é um bom homem, bom marido, bom pai. Ela acha que a culpa das agressões é somente dela, porque ele a faz pensar assim. Faz joguinhos psicológicos, dizendo que se for denunciado, vai fugir com o filho deles, vai fazer pior na próxima e por aí vai… Após as agressões, ele a leva ao shopping, compra roupas, sapatos, leva-a em viagens, passa uma temporada em lugares bonitos, pede desculpas, diz que isso nunca mais vai acontecer e compra seu silêncio. O que infelizmente não acontece somente com ela e, sim, com milhares de mulheres.

De acordo com a “Council of Europe Convention on preventing and combating violence against women and domestic violence“ (2011), violência doméstica é definida como atos de violência física, sexual, psicológica ou econômica que ocorram dentro da família ou unidade doméstica ou entre atuais ou ex-cônjuges ou parceiros, quer o perpetrador partilhe ou tenha partilhado ou não o mesmo domicílio com a vítima.

Essa situação não está confinada a classe social, cultural, país ou religião. Pesquisas do Una-se pelo fim da violência contra as mulheres revelam que cerca de 70% das mulheres sofrem algum tipo de violência no decorrer de sua vida. As mulheres de 15 a 44 anos correm mais risco de sofrer estupro e violência doméstica do que de câncer, acidentes de carro, guerra e malária, de acordo com dados do Banco Mundial.

18973c0662bfffa2d2834b9e20fcec03Estudos feito pelo Instituto Avon e Data Popular demonstram que, a cada 4 minutos, uma mulher é vítima de agressão no Brasil.
Quando eu soube dessa agressão, eu tentei denunciá-lo, mas descobri que a denúncia só podia partir da própria vítima, o que hoje não é mais assim. A lei mudou e o agressor já pode ser denunciado por terceiros, o que facilita, já que, como eu disse, muitas vítimas se sentem culpadas e têm medo do que pode acontecer no futuro… Como Emma, que tem medo do que pode acontecer aos primos.

Não vou contar o que acontece no livro, mas já deixo vocês preparados, pois ele não termina como qualquer outro. Como costumamos dizer, ele não tem final, deixando o leitor com o coração na mão, ansiando desesperadamente pelo segundo livro, o que não o impede de ler, já que fontes fortíssimas nos disseram que o segundo já está no forno da Editora. 😉

Enquanto o livro está sendo muito bem cuidado pela turma da Pandorga, eu convido vocês a curtirem a nossa página no facebook, abraçar essa causa, enquanto aguarda novidades.

Uma Razão para Respirar é o primeiro livro da Trilogia Breathing. O livro tem 493 páginas, tem a capa linda e a diagramação perfeita, o que faz ter mais vontade de ler.

E lembre-se:

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Para saber mais sobre a proteção que o Brasil dá às vítimas, nesses casos, leia sobre a lei Maria da Penha.

Para comprar:

Saraiva

Livraria Cultura

Para ler a resenha do segundo livro da trilogia, clique aqui.


Beijos

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4 comentários em “[Resenha] Uma Razão para Respirar, de Rebecca Donovan + Campanha Abrace essa causa – unidos contra a violência doméstica

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